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Inteligência, cães e laboratório forense: veja como é o trabalho para reprimir o narcotráfico em Viracopos

Com um grande volume de apreensões e o uso do terminal como trajeto do tráfico, PF e Receita intensificam ações de fiscalização no aeroporto de Campinas. Viracopos tem trabalho de repressão e de inteligência no combate ao tráfico de drogas

Rota de interesse do crime organizado, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), teve em maio deste ano 1.024.841 passageiros em 10.164 pousos e decolagens . Diante desse tamanho, os órgãos de segurança utilizam uma série de ferramentas para tentar combater o narcotráfico. (Conheça nesta reportagem)

Com voos diários para a Europa e para Manaus (AM), Viracopos viu as apreensões de drogas crescerem. Em 2023, foram apreendidos 261 quilos de entorpecentes no aeroporto e 55 passageiros foram detidos em flagrante por tráfico de drogas. Neste ano, de janeiro a abril, foram 164 quilos apreendidos e 21 presos.

Uma rota doméstica específica tem atraído a atenção das autoridades aeroportuárias por conta da quantidade de apreensões de drogas: a rota amazônica - entre Manaus (AM) e Campinas. Segundo as investigações da PF, drogas, como cocaína e maconha, produzidas na Colômbia e Peru chegam a Manaus de barco pelos rios e, de lá, são enviadas por via aérea para Viracopos.

Rota amazônica: droga entra de barco no Brasil e depois vai para o sudeste de avião, diz PF

Arte/g1

Para entender como funciona esse trabalho de repressão, a reportagem acompanhou, com exclusividade, o trabalho dos fiscais da Receita Federal no aeroporto e conheceu o laboratório forense de análise de drogas da Polícia Federal dentro do terminal.

"São varias camadas de proteção e fiscalização visando a proteção da aviação civil e que por sua vez acaba reprimindo diversos crimes, principalmente o tráfico de drogas, tanto nacional como internacional", explicou Edson Geraldo de Souza, chefe da PF em Campinas.

Ferramentas de fiscalização

Com o objetivo dedar conta do número de voos que operam diariamente em Viracopos, PF e Receita utilizam mecanismos tecnológicos e de inteligência para fiscalizar passageiros, bagagens e cargas. Veja algumas:

Análise de passageiros: um trabalho de inteligência em que servidores analisam as listas de passageiros dos voos buscam informações que possam apontar para uma possível mula (nome dado à pessoa aliciada para transportar drogas).

"Quando chega a lista de passageiro para gente aqui, ela já vem com algumas informações básica. Então, jogamos no sistema e começamos a fazer algumas investigações. Eu busco aqui renda do passageiro, a gente quer saber como que ele pagou essa viagem, para onde ta indo, se viajou algumas vezes", explicou Cleiber Ferreira, analista da Receita Federal.

Trabalho de análise de dados da Receita em Viracopos

Reprodução/EPTV

Uso de cães farejadores: em voos com passageiros suspeitos ou de rotas conhecidas do tráfico, as bagagens de mãos, as despachadas e os próprios passageiros passam por verificação dos cães farejadores da Receita. Em Viracopos, são três animais atuando nessa função.

"A gente traz o cão para inspecionar a bagagem do passageiro. Essa bagagem muitas vezes está recheada com droga ou o passageiro trazendo a droga no corpo, ai a função do cão é segregar esse passageiro, fazer uma vistoria nele e verificar se realmente tem droga ou não", contou Cleiber.

Cão farejador da Receita Federal em Campinas

Reproduçaõ/EPTV

Laboratório forense: outra ferramenta importante na tentativa de combater o tráfico de drogas é o laboratório de análise de drogas da Polícia Federal em Viracopos. No local, os peritos conseguem detectar qualquer tipo de droga e, com isso, agilizar o procedimento das pessoas flagradas com entorpecentes.

"A vantagem de termos um aeroporto dotado de laboratório de química forense como Viracopos, o único no país e com o equipamento que tem, é que agiliza a identificação de qualquer tipo de substância", explicou a PF.

Laboratório forense da Polícia Federal dentro de Viracopos

Reprodução/EPTV

Outras ferramentas que agentes da PF e analistas da Receita utilizam são os aparelhos de raio-x e as câmeras de monitoramento do aeroporto. Desta forma, dizem o órgãos, todos os aviões que chegam e que saem do aeroporto são, de alguma forma, fiscalizados. "Quanto mais intensificamos, quanto mais usamos tecnologia, maior o número de apreensões", afirmou o chefe da PF.

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